terça-feira, 22 de março de 2011

O Andarilho Escrivão (Valderez)

Foto: Cícero - Valderez

Se não me engano, desde 2009 chegou aqui em lajes um andarilho desses que costumam passar na BR 304, que atende por nome de Valderez. Sua passagem por aqui foi tão boa, que ele vez por outra desaparece e volta, neste momento está passando uns dias em frente ao cemitério. Chamou minha atenção, o conteúdo intelectual observado em seu vocabulário que têm palavras como: “computadorizado, tecnologia, parâmetro, placa solar” etc.
Alguns moradores falam de sua educação ao pedir comida ou água, ao pedir “Por favor”. Conversando comigo, Valderez mostrou-se atencioso e desinibido, mas não posso comprovar a veracidade de suas palavras porque ele alterna momentos de lucidez com algo que lembra esquisofrenia. Ele afirma ter nascido em Bonito no estado Minas Gerais, mas desconversa quando pergunto sobre sua família que ele diz não ligar. Também afirma ter estudado até o 3º grau Magistério e, ter andado o Rio Grande do Norte de Natal à Mossoró a pé.
O senhor se incomoda de ser filmado? “Não, pode ficar a vontade! Eu filmo eu mesmo.”
Qual é sua idade? “Minha idade mesmo é 39, 40. Porque se for pro lado das moças é a, agora se for pro lado dos rapazes é u.”
O senhor deixou de escrever no chão. Por quê? “Olha eu deixei porque o rapaz me proibiu, aí eu não posso não. Ele disse: - Olhe, se eu sair dali e ver um risco aqui... Eu disse – pode se garantir que a minha palavra o senhor se garante!"
Ao falar sobre Resende no Rio de Janeiro, Valderez afirma que lá tem uma numeração no calçadão da praia que ele sabe o código. Finaliza a entrevista com essas palavras: “foi aquele assunto ali, pronto, foi mais ou menos por onde eles foram presos.”
Nota-se uma falta de nexo nas falas de Valderez, sendo difícil perceber o que é real ou ilusório. O fato é que ele mistura as conversas, mas fala de um jeito sereno. É um bom caso para a Psicologia!

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