quinta-feira, 19 de maio de 2011

Luto - Personalidade Lajense

É com o sentimento de perda de uma memória sócio-cultural lajense, que repriso a matéria abaixo feita com seu "Zé da Caridade" ou "Cunhado" (como ele gostava de tratar os amigos). Quando fiz o quadro PERSONALIDADE lAJENSE, minha intenção era preservar um pouco da memória daqueles que considero ser a essência cultural do nosso povo. Não trata-se de uma pesquisa empírica, mas acho que é relevante para a preservação da memória daqueles que no passado projetaram nosso presente.

Foto: Cícero - Zé da Caridade

Nome: José Carneiro Paulo;
Apelido: Zé da Caridade;
Natural de: Ceará Mirim; nascido em: 25 de maio de 1917.

Hoje a personalidade lajense é este senhor brincalhão, "cabeça de homem e coração de menino" morador do São Judas Tadeu. Prestes a completar 94 anos (quase um século), seu Zé foi contemporâneo de vários acontecimentos como: 1ª Guerra Mundial, Tenentismo, O Cangaço,Vargas no poder, SegundaGuerra, Alzira Soriano (se elege 1ª prefeita da América Latina), Intentona Comunista, Jânio Quadros no poder, Ditadura Militar, Reabertura política e democrática do Brasil...

Por que lhe chamam de Zé da Caridade? -Por que eu sempre fui uma pessoa que fez caridade a quem necessitava de ajuda e eu podia ajudar.

Qual é o segredo para se chegar aos 94 anos com tanta vitalidade? Você não sabe mas seu pai ouviu falar de Matuzalêm, ele viveu novessentos e poucos anos usando a sombra de uma pedra (risos) -Eu nunca bebi, não passo noites em claro, trabalhei muito, ainda danço e sou muito contente.

O senhor tem planos de viver mais quantos anos? -Tenho fé que chego aos 150 anos.

Qual foi sua profissão durante o maior tempo de sua vida? -Eu fui agricultor. Ganhei um bom trocado com o algodão; em 64 colhi 184 arroba de algodão, lembro de ter ganho 500 Cruzeiros e uns quebrados.

Qual a diferença do povo de antigamente (décadas de 30, 40, 50, 60 e 70) para o povo de agora? -Antigamente o povo era respeitador, tinha vergonha na cara; hoje o filho com dez anos quer bate na mãe e usa drogas.

O que o senhor sente ao ver que quem mais trabalha é também o mais sofrido (ganha pouco)? -Acho que o maior salário de aposentadoria devia ser do agricultor. É injusto passar a vida inteira trabalhando de sol a sol e ganhar uma micharia.

Um comentário:

  1. Caro amigo Cícero, pode-se dizer que o senhor José da Caridade foi um exemplo de vida, pois uma pessoa com 95 anos de idade, viveu até o ultimo dia de sua vida na inteira disposição, ele dançava, participava de projetos social e dentre outros eventos de caráter interativo. Mas nunca deixava de dá a sua contribuíção de alegria. Portanto, ele em minha vida vai ser uma lição, não sei se vou chegar aos 95 anos de idade, mas uma coisa eu sei, lutar por ela é o que devemos fazer.
    Fico tritse por ele não está mais no meio de nós, mas fico feliz porque, ele está neste momento ao lado do criador orando por nós.

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