terça-feira, 4 de setembro de 2012

INSTRUMENTOS DE TORTURA DA INQUISIÇÃO - RODA DA FORTUNA

Foto de http://oridesmjr.blogspot.com.br: Instrumento de tortura "Roda da Fortuna"

Por: Benair Alcaraz Fernandes Ribeiro

A "Roda de Despedaçar" era um instrumento de tortura largamente usado pelo Direito Penal e pelo Direito Canônico desde os primórdios da Idade Média. A vítima, nua, era esticada de barriga para cima na roda com os membros estendidos ao máximo e atados com cordas ou anéis de ferro. Sob a roda colocava-se um braseiro. O carrasco, girando a roda cheia de pontas, fazia com que a vítima fosse assada lentamente. As vezes no lugar de brasas colocavam-se pontas de ferro na base, e à medida que a roda girava, o corpo se despedaçava. Aplicavam-se violentos golpes com uma barra, destroçando todas as articulações, partindo os ossos, evitando-se golpes que pudesses ser mortais. Provocava-se, como é fácil imaginar, um verdadeiro paroxismo de dor, levando a plateia ao delírio. Depois do despedaçamento, o condenado era desatado e lhe entrelaçavam os membros com os raios da grande roda, deixando-o ali até que morresse. Os corvos arrancavam pedaços de carne e vazavam os olhos até a chegada do último momento. Junto com a prova de fogo, o despedaçamento era um dos espetáculos mais populares que ocorriam nas praças da Europa. Multidões de plebeus e nobres se deleitavam ao contemplar um bom despedaçamento, como comprovam várias gravuras da época.

[...] A chamada Inquisição Moderna - o Tribunal do Santo Ofício - instalada na Península Ibérica a partir de 1478 (bula Exigit sinceras devotionis affectus), praticamente não se utilizou mais desse instrumento público, preferindo a tortura por meios mais requintados: o isolamento nas masmorras, as sessões repetidas de interrogatório, o desconhecimento por parte dos réus dos seus acusadores e da culpa que lhes era imputada, impossibilitando-lhes a defesa; aplicação do suplício no "potro" ou na "polé" para obter a confissão, até a pena final da morte na fogueira, queimando-se o corpo para salvar a alma.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 7, nº 73, Outubro de 2011
Acervo: Biblioteca Comunitária da Escola Estadual Pedro II/Lajes RN

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