sábado, 24 de novembro de 2012

TRECHO DE UMA CRÔNICA DE DANIEL MARTINS - ENVIADA POR NILDO CARVALHO


·    A família. 
O ranger daqueles armadores... Renc...renc...renc...repetia se varias vezes naquela rústica e simplória casa de taipa.A criança que ali estava chorava,seus irmãos estavam sentados no canto da casa iluminados pelo luz da lamparina.A aparência sonolenta não era definida,se pela noite que chegava a algum tempo ou se por falta da janta que ainda não havia sido trazida pelo pai.Bastião o pai esguio e franzino com a aparência bem mais velha do que a realidade, devido o sol intenso que o maltratara durante seu árduo dia de labuta.Era um trabalhador incansável, dia e noite buscava o sustento para seu singelo lar.No entanto era uma situação muito difícil pois, aquela terra pobre e seca não dispunha de muitos recursos para suprir as necessidades daquele povo.Tinha o orgulho que herdara do pai pedreiro de profissão se orgulhava do tanto de casas que já havia feito na cidade,contudo orgulho não enche barriga e sendo pouco o ganho como pedreiro e tendo varias bocas para alimentar,não dispensava trabalho algum,pelo contrario,fazia o máximo possível para ganhar mais um: cortava lenha,fazia carvão,batia tijolo,fazia cerca entre outras coisas que o competia.

Uma escadinha era o gráfico que demonstrava a diferença de idade de seus cinco filhos: Gilvan, Antonio, Canindé, conceição e Lurdes. Prole demasiada para pessoas tão desprovidas de recursos. Canindé o mais velho uma criança raquítica que aos treze anos aparentava ter nove tornara se o braço direito de seu pai devido a situação precária. Ele sempre acompanhava Seu bastião para ajuda ló. Procurava meios para assistir seus pais e irmãos. Ia para a feira carregar as compras de algumas pessoas em troca de algumas moedas, vendia milho cozido e assado, fazia gaiolas pra negociar e assim buscava fazer sua parte. Conceição com seus nove e puros anos já tinha por responsabilidade os afazeres domésticos, alem de cuidar de seus irmãos mais novos. A inocência daquela pequena de olhos tristes e vida difícil, nessa retumba,perdia se. Pois as responsabilidades não permitiam que desfrutasse de sua idade pueril, devido o fato de todo o tempo esta atarefada, pra cima e pra baixo com uma criança a tira colo. Ceiça exercia a maternidade sem muita reclamação. Pouco falava, pouco sorria apenas vivia aqueles sofridos e delongados dias. Os outros três poucos poderiam contar por serem crianças demais, poderia ate descreve lós se assim o queiram: Gilvan com seus seis anos barriga que se estufava contra a camisa encardida e já puída pelo tempo de uso andava descalço pelo quintal de sua casa carregando alguns trambolhos que o serviam como brinquedo. Lurdes quatro anos cabelos emaranhados com um gatinho e um bubu na boca demonstrava seu jeito emburrado pelos cantos da casa.

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