sexta-feira, 28 de junho de 2013

MATÉRIA HIPÓCRITA - COMO A MÍDIA ELEGE E CONSTROI OS HERÓIS DO POVO

Veja o cinismo da matéria abaixo afim de produzir os heróis da revolta que se espalharam pelo país. O título e a matéria diz que a jovem "evita fama pessoal", interessante pois já é um dos rostos mais conhecidos desta revolta em que (Paulo Bueno) comentou:OS VERDADEIROS MANIFESTANTES ESTÃO NESSA HORA TRABALHANDO PRA ALIMENTAR SUAS FAMÍLIAS... AGORA OS MIDIÁTICOS ESTÃO NOS BLOGS E NAS GLOBALIZAÇÕES. ". Além de citar o nome da personagem várias vezes, olhe só o tamanho da matéria dedicada a ela. Só espero que isso não enfraqueça o movimento nem lance sua candidatura a alguma coisa, pois seria proveito.

Rosto público do MPL, Mayara Vivian abraça a causa e evita fama pessoal. Garçonete e estudante de geografia é uma das porta-vozes do grupo. Para não sofrer represália ou esvaziar o movimento, ela não fala sobre si.

Ana Carolina MorenoDo G1, em São Paulo

Mayara Vivian é um dos rostos do MPL, mas não
posa para fotos (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Garçonete e estudante que se tornou o rosto mais conhecido dos protestos pela melhoria do transporte público no Brasil, Mayara Longo Vivian, representante do Movimento Passe Livre (MPL), é radical tanto na hora de expor as posições do grupo, que a elegeu, entre outros membros, como porta-voz na atual jornada de lutas, como na hora de resguardar os detalhes de sua vida pessoal. "Para me ouvir falar da minha vida, só sentando comigo na mesa do bar. O movimento tem as suas convicções políticas e eu tenho as minhas", explicou ela ao G1 na tarde de terça-feira (25), na Câmara Municipal de São Paulo.


O segundo, de acordo com ela, é não se deixar explorar pela imprensa e desvirtuar o debate ao qual ela tem dedicado praticamente todo o tempo em que não está trabalhando. "A mídia tenta personalizar o grupo e contar histórias para esvaziar o movimento", disse ela. Quando instada a falar sobre si, ela é categórica. "Sou uma menina normal como qualquer menina normal, como qualquer cara normal. Sou só uma pessoa. Eu não sou ninguém, isso você pode escrever."

Mayara não é a única porta-voz do movimento, mas acabou emergindo entre os demais membros depois que, no dia 11 de junho, o MPL publicou na internet um pedido de reunião protocolado no Ministério Público com a assinatura e o telefone celular dela.

Apesar da fama repentina, à qual ela diz ainda estar se acostumando, Mayara segue solícita aos inúmeros pedidos de entrevista e cumpre o papel ao qual foi incumbida por decisão coletiva do MPL neste ano. Além das entrevistas antes, durante e depois dos protestos, das repercussões das reuniões de negociação com o governo e após a redução da tarifa anunciada em São Paulo e no Rio, ela também esteve entre o seleto grupo de quatro membros do MPL-SP e dois do grupo do Distrito Federal que se reuniu com a presidente Dilma Rousseff na segunda-feira (24).

Sou uma menina normal como qualquer menina normal, como qualquer cara normal. Sou só uma pessoa. Eu não sou ninguém, isso você pode escrever"
Mayara Vivian,
integrante do MPL

Cansaço e fome
Na terça, ela seguiu do aeroporto à Câmara Municipal de São Paulo, para assistir a uma reunião às 14h. De almoço, apenas um falafel para a militante vegetariana, feminista, tatuada e corintiana que hoje considera luxo uma noite com 6 horas de sono. "Deem uma bolachinha para ela", pediram os outros dois militantes do grupo ao repórter da TV Câmara que implorava por uma entrevista exclusiva de "10 minutinhos", que Mayara concedeu com paciência, depois de um copo cheio de café que ela encontrou pelo caminho.

Ao final da entrevista e das tomadas feitas pelo cinegrafista em vários ângulos, sete chamadas não atendidas esperavam por Mayara no celular que ficou na mochila. Ela decidiu não retornar nenhuma: já eram quase 17h e ela ainda precisava caminhar, debaixo de uma garoa, até o Sindicato dos Químicos, onde participaria de uma atividade.

No caminho até lá, mais um telefonema, mais uma atividade agendada. Ela relembra com carinho a jornada de lutas de 2011, quando a tarifa em São Paulo subiu de R$ 2,70 para R$ 3,00. Naquela época, o rodízio de tarefas a deixou longe dos holofotes. "Mal posso esperar para isso tudo passar", disse a jovem que estudou a vida inteira na rede pública – ela terminou o ensino médio em uma escola técnica estadual no Ipiranga, na Zona Sul, e no ano seguinte ingressou na USP.

Dormir a noite toda e comer sentada em uma mesa viraram necessidade secundária. Mas ela tem conciliado as passeatas que entram na madrugada, os encontros do MPL e as reuniões com a presidente e outros políticos com seus turnos de garçonete. "Ainda preciso pagar minhas contas."

A jovem condenou ataques que outros membros sofreram em suas faculdades por participarem do grupo. Ela disse ter sorte de estudar em uma faculdade da USP com um grande contingente de pessoas de esquerda e não ter tido problemas. No entanto, Mayara reclamou do número de jornalistas que procuraram seus chefes no bar onde ela trabalha, em um bairro boêmio da Zona Oeste.
Alguns políticos apoiam a gente, mas nós não apoiamos nenhum político"
Mayara Vivian

Mayara não desperdiçou o curto tempo em que dominou o microfone.

Na Sala Tiradentes, que tem espaço para 57 pessoas sentadas, mas que naquela hora tinha lotação esgotada e outras dezenas de pessoas em pé, Mayara fez questão de lembrar para quem reclamava do aperto que "o ônibus é muito mais cheio".

E deixou claro, mais uma vez, o caráter apartidário do Movimento Passe Livre. "Alguns políticos apoiam a gente, mas nós não apoiamos nenhum político."

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