sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO RN - ALEXANDRIA

Estradas de Ferro do Nordeste (Página do Facebook). Texto com alguns cortes de Cícero Lajes.
Estação ferroviária de Alexandria, quilômetro 224 da Estrada de Ferro Mossoró-Souza, a última em território potiguar.
O embrião do caminho de ferro que, a partir dos anos 50, veio a se chamar Estrada de Ferro Mossoró Souza (E.F.M.S.) surgiu de uma concessão imperial dada ao visionário, sonhador e industrial suíço radicado em Mossoró, João Ulrich Graff, nos idos de 1870. O pretensioso plano do senhor Graff esquadrinhava minuciosamente a fantasiosa construção de uma ferrovia que partisse do litoral norte do RN, passando pelo município de Mossoró, seguindo em direção ao sul até Alexandria na divisa com a Paraíba, e que de lá fosse dar nas margens do Rio São Francisco, a centenas de quilômetros de distância do ponto de partida. Tal projeto, por demais faraônico para a época, fracassou por falta de recursos e interessados que nele investissem. O sonho graffiano somente começou a tomar forma quando Ulrich Graff já havia falecido, cerca de quatro décadas depois...  A partir de uma nova concessão dada ao industrial cearense Vicente Saboia Albuquerque junto com seu sócio e primo João Tomé de Saboia, o sonho de uma ferrovia para Mossoró estava então batendo à porta.

Tendo suas obras iniciadas em 1912 pela construtora Albuquerque & Cia, o primeiro trecho de via férrea ligava Mossoró ao antigo Porto-Franco, localizado entre Areia Branca e Grossos, e teve sua viagem de avaliação feita em fevereiro de 1914, e sua inauguração oficial em março de 1915 com uma locomotiva montada cá mesmo por engenheiros americanos e espanhóis. Aqui vem uma particularidade: a concessão original para o seu prolongamento, dada à mesma firma Albuquerque & Cia, previa inicialmente que os trilhos da ferrovia avançassem até a comunidade de Alexandria, já na divisa do RN com a Paraíba. Essa seria assim uma "Estrada de Ferro Mossoró-Alexandria", como fora inicialmente pensada. Os trabalhos de construção se iniciariam em 1919 a partir de Mossoró, indo em direção ao sul, partindo do ponto final da antiga Estrada de Ferro Mossoró-Porto Franco, para somente chegar a Alexandria no final da década de 40. De acordo com o projeto original, Alexandria seria, então, o ponta do ramal. Como se sabe, anos depois, em 1951, completou-se um cômodo prolongamento de Alexandria até Souza, ali bem próxima, na ligação Recife-Fortaleza.

Com a festividade típica que um evento de tal magnitude merecia à época, a estação ferroviária de Alexandria foi inaugurada no dia 29 de outubro de 1948, marcando o quilômetro 224 da Estrada de Ferro de Mossoró, que logo depois com o prolongamento até Souza passaria a ser chamada (Companhia) Estrada de Ferro Mossoró-Souza. Estava completo o projeto da ferrovia ligando o litoral do RN ao alto sertão do Oeste potiguar passando por Mossoró. Era aquela a última estação em solo potiguar, já nos limites com a Paraíba, localizada numa região muito bonita, de serras e vegetação xerófita, comum na paisagem do Alto Oeste do estado. O prédio da estação era modesto e seguia as mesmas linhas arquitetônicas típicas das estações da linha naquela região, se assemelhando muito às estações de Patu, Almino Afonso, Demétrio Lemos e Mineiro. Com sua inauguração em outubro de 1949, assumiu o senhor Ignácio de Loyola Mello como seu primeiro agente,... O fechamento da estação se deu em 1991. 

O prédio encontra-se ainda hoje de pé e preservado, sem uso específico conhecido. Os trilhos, como em todo o percurso do ramal, foram retirados em 2001. A lembrança, porém, persiste. A estação ferroviária de Alexandria representa a tão esperada conclusão de um grande projeto idealizado ainda no século XIX, que custou muito a ser concretizado, e que finalmente naquele outubro de 1948, estava finalmente vindo à luz. Uma obra de engenharia que significou muito para todos os municípios que tiveram a sorte de ter suas áreas cortadas pelos trilhos da E.F.M.S.e que, infelizmente foi descartada sem o mínimo de consideração que merecia. Hoje, as serras e rochas abauladas de Alexandria não veem mais os trens do passado a serpentear pelos confins do sertão, levando e trazendo a história que nós do Estradas de Ferro do Nordeste lutamos por não deixar morrer: a história do sonho de Iohann (João) Ulrich Graff.


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