quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A DONA NEVES

Ontem em Lajes, muita gente estava triste por ter perdido um amigo, pelo luto da família Laureano, pelos filhos e esposa de Paraíba, e pela forma como ocorreu sua morte. Eu fiquei triste especialmente por uma cena: dona Neves saindo da Igreja Matriz e chegando à casa de Nevolândia amparada por seu filho Laureano. Lá sentou numa cadeira e, desolada, ficou até a passagem do corpo de seu filho rumo ao cemitério.

Naquela hora contive as lágrimas mas o coração ficou em frangalhos, não tive coragem nem de ir lá tentar confortá-la. O mesmo coração que precisou ser forte para suportar a alegria, desta vez precisou ser mais forte para suportar um sentimento causado por outro extremo extremo: a dor e consequentemente a tristeza. Dona Neves que já havia enterrado seu esposo e grande homem, Juvenal Paraibano, por morte natural, desta vez viu a partida de um de seus filhos de forma trágica. E deu-se assim uma inversão nos papéis, quando a ordem natural da vida é seus filhos enterrarem seus pais. Mais uma mãe em Lajes do Cabugi teve que suportar a dor de ver o fruto do amor entre um homem e uma mulher concedido sob a luz divina, partir antes dela.

E como intrigante é a vida, pois talvez quando Dona Neves mais esperasse que isso o corresse (na juventude de seu filho quando ele cometia alguns erros e a deixava de coração partido e aflito), ocorre justamente em um momento em que ele parecia ter mudado. Estava casado e havia ingressado na vida pública com boa aceitação popular, talvez mais em virtude do nome de sua família e  em respeito à memória e ações de seu saudoso pai.

Fico por aqui e desejo força e fé a esta mulher que já venceu tantas batalhas na vida, até mesmo quando a luta pela sobrevivência era mais dura e castigante. Fique com Deus dona Neves.

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