domingo, 1 de dezembro de 2013

MINERAÇÃO: "Logística difícil limita investimentos no Estado"

Matéria retirada da Tribuna do Norte                                                                       Aldait Dantas
Minério de ferro no Porto de Natal: produto agora é escoado pelo Porto de Cabedelo, na Paraíba
Minério de ferro no Porto de Natal: produto agora é escoado pelo Porto de Cabedelo, na Paraíba

A falta de estrutura adequada ao escoamento de minério não aumenta só os custos dos empresários locais, como também limita os investimentos no Rio Grande do Norte. “A gente quer investir US$ 12 milhões (R$ 27,9 milhões considerando a cotação do dólar do último dia 29) e dobrar a produção de minério de ferro no estado, passando de 500 toneladas por ano para 1 milhão de toneladas. A questão é que a gente só pode fazer isso quando for possível exportar toda a nossa produção pelo Rio Grande do Norte”, afirma José Fonseca de Oliveira, diretor da Susa Mineração. 

Segundo ele, a empresa só atingirá a meta que anunciou no início das operações, há quase três anos, quando surgir uma solução logística no RN. “Enquanto tivermos que exportar por outros estados, vamos ficar limitados as 500 mil toneladas por ano”. 
aldair dantas
Porto de Natal: sem estrutura, terminal não consegue ser competitivo e onera operações de exportação, segundo empresários.

A razão é simples. De acordo com Fonseca, exportar por outros estados o dobro do que hoje ele produz anularia as chances de se obter mais lucro, mesmo com o aporte de novos investimentos. 
“A gente ia produzir o dobro, mas também ia gastar o dobro do que gastamos com frete, então nós lucraríamos no final o que estamos lucrando hoje”, analisa. A Susa já investiu US$ 27 milhões no RN (R$ 62,7 milhões, considerando a cotação do último dia 29) e diz que não estar arrependida de ter aplicado os recursos no RN. Fonseca admite, no entanto, que “tem que tirar um problema do caminho por dia”.

Para Otomar Lopes Cardoso Júnior, especialista em comércio exterior e professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Potiguar (UnP), a situação só deve ser revertida com a construção de um porto com capacidade para escoar grandes volumes de minério. 

“O porto de Natal não tem condições muito satisfatórias de receber e escoar minério. Chegamos a exportar granito em containers (como é feito com as frutas) por um período, mas isso é inviável do ponto de vista econômico para outros tipos de minério, como o ferro, por exemplo. A questão é justamente que sem estrutura, o porto de Natal não consegue ser competitivo. Isso é ruim para os empresários e para o estado, que deixa de se beneficiar mesmo que indiretamente do aumento das exportações”. 

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