quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

HISTÓRIA - O URÂNIO DE ACARI "TINGUIJOU" HIROSHIMA E NAGASAKI ?


“– Só c’a peste dum minero
do Xiquexique, (62) fizéro
Japão conhecê tingui. (63)
– Diz que só um pedacinho
do droga do metazinho,
tinguijou sessenta mi...”

62 Mina Xiquexique, em Acari/RN. Nota de OM, retro, dando conta da
presença de urânio no RN.

63 Tingui. Ou timbó. O termo timbó pode ser a designação comum a várias
plantas das famílias das leguminosas e das sapindáceas, geralmente as com
casca e/ou raízes que possuem uma seiva tóxica, e que por isso são utilizadas
para tinguijar (regionalismo usado no Norte e Nordeste para o ato
de envenenar peixes jogando timbó ou tingui na água).

(In "Sertão de Espinho e de Flor" ´OTHONIEL MENEZES - Obra Reunida"
- Editora UNA, Natal, 2011)

"Em importantíssima reportagem de José Pires, publicada na edição de 18 de setembro de 1949, do Diário de Natal, sob o título e subtítulos de

“Urânio potiguar levou o Japão à derrota –, não só Parnamirim ajudou a ganhar a guerra – Contribuição do Estado à indústria bélica – Riquezas minerais incalculáveis em Acari e Parelhas – Surpreendente revelação de um garimpeiro profissional”

– aparece o minerador, simples “curioso”, de boa vontade, inteligente, ufanista convicto, o Sr. Amaro Alves dos Santos, residente à rua dos Paianazes, 1.394, nesta capital, e profundo conhecedor das nossas serras, que examinou a palmo, tendo estado em contato constante com a BEW (Bureau of Economic Warfare), durante a última guerra. Assim se refere o repórter, nesse artigo, ao urânio no Rio Grande do Norte:

“Análises feitas nos Estados Unidos – Dias depois, Amaro Alves dos Santos entregava ao Haroldo Sims, então cônsul dos Estados Unidos, em Natal, retirada da mina Xiquexique (município do Acari), certa quantidade de minério que muito se assemelhava à tantalita.
Minério do urânio

Solicitava ao representante consular (172) que lhe fizesse o favor de mandar examinar o material, nos laboratórios americanos. O resultado da análise feita nos Estados Unidos veio três meses depois.

Na amostra enviada, havia sido encontrado urânio de alto teor. Na mina Xiquexique, o veio de urânio, segundo Amaro Alves dos Santos, tem uma extensão de seis quilômetros, por mais de um quilômetro de largura, de espessura desconhecida, até atingir uma serra, atravessando a esta e se prolongando pelo território paraibano adentro.

Diz ainda Amaro Alves ter ouvido, da BBC de Londres, a informação de que, até então, se estimava em 70 quilogramas a quantidade de urânio do Brasil enviada aos Estados Unidos.”

NOTAS (Laélio Ferreira):

172 Harold Sims. No Brasil, desde 1938, como vice-cônsul em Pernambuco. Chegou a Natal em 1943, como Cônsul. Andou pela China e Cuba, posteriormente. Sem sombra de dúvida, pertencia ao serviço de inteligência dos EUA.

Nessa época, em Natal, discretamente, mesmo antes da chegada formal do Cônsul Sims à Capital do Estado, agia por cá, como agente reservado, o Pastor batista "Doutor Matheus". Diziam-no "Coronel da Força Aérea americana". O fato é que esse religioso era, sabidamente, o encarregado de entrevistar os candidatos nativos ao preenchimento de cargos burocráticos na Base de Parnamirim. O próprio Othoniel Menezes- que lá trabalhou muitos anos - foi por ele sabatinado para o emprego.

Por outro lado, no Grande Ponto, falava-se muito nas amerissagens e decolagens de Catalinas (aviões anfíbios) na então discreta e distante Lagoa do Bonfim. Subiam carregados de "areia monazítica". Era esse o termo empregado - um engodo dos "galegos" para o mineral do Seridó? O principal produto da areia monazítica, inexistente no RN, é o urânio físsil, a partir do tório, e houve, também, soube-se muito depois da Guerra, o interesse dos americanos, em 1945, de exportá-lo de jazidas dos litorais do Espirito Santo, São Paulo e Piauí.
Relativamente ao urânio do Rio Grande do Norte, sabe-se hoje, por exemplo, que o Município de Ouro Branco, na mesma região a que pertence Acari, é uma das cidades com maior índice de cânceres do Estado, segundo os especialistas, por se encontrar na grande reserva de urânio da região (Espinheiras - v. mapa, acima). Alguns técnicos apontam a contaminação radioativa da água servida à população da cidade. 

O Poder Público, ao que parece, até hoje, não cuidou, ainda, do assunto...

Texto e Fotos: Blog Mediocridade Plural

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