sexta-feira, 25 de julho de 2014

Vazante lenta faz lixo acumular em igarapés e áreas alagadas de Manaus

Segundo Semulsp, chuvas estão espalhando lixo por leitos em toda a capital. Diariamente, cerca de 27 toneladas são retiradas de igarapés da cidade.

Do G1 AM
Catator recolhe recicláveis de igarapé com acúmulo de lixo em Manaus (Foto: Jamile Alves/G1 AM)

A vazante mais lenta do Rio Negro trouxe, além dos alagamentos, um novo problema para a população manauense: com chuvas ainda frequentes no Amazonas, o acúmulo de lixo nos igarapés que cortam a cidade tem sido ainda maior. Moradores próximos a áreas afetadas reclamam principalmente do mau cheiro. Com cerca de 27 toneladas diárias de lixo retiradas dos afluentes, o descarte inconsciente continua sendo o principal agravante, segundo especialista. O grande volume de águas também ajuda a espalhar os dejetos pelo curso d'água.
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Para a dona de casa Sônia Campos, de 48 anos, o mau cheiro é a pior parte do acúmulo de dejetos. Moradora da Comunidade Bariri, situada no bairro Presidente Vargas, Zona Centro-Sul da capital, ela conta que até eletrodomésticos são encontrados às margens do igarapé. "Quando começou a encher, colocamos marombas e o lixo acumulava todo debaixo das pontes. O cheiro é podre, tem de tudo mesmo. O ruim é que, com a água descendo mais devagar, somos obrigados a conviver com os urubus praticamente na frente de casa", disse.
Cerca de 27 toneladas são recolhidas diariamente de igarapés da cidade (Foto: Jamile Alves/G1 AM)

O subsecretário operacional de Limpeza Pública, José Rebouças, afirmou que as chuvas frequentes e o processo lento de descida do rio possibilitam que o lixo migre de igarapé em igarapé. Segundo ele, o ato inconsciente de jogar dejetos nas ruas aumenta ainda mais a quantidade do material nos igarapés. "Tem muita gente que pensa que a culpa é só de quem mora perto dos igarapés, mas toda a população colabora com isso quando joga lata, garrafa no meio fio, quando deixam de varrer a calçada da rua. A primeira chuva já arrasta o lixo para os bueiros, que cai na drenagem e chega ao igarapé", explicou.
Moradora reclama de mau cheiro vindo do lixo (Foto: Jamile Alves/G1 AM)

De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), a limpeza dos igarapés ocorre diariamente, com ajuda de 60 agentes do órgão. Redes de contenção foram instaladas para auxiliar na limpeza em diferentes afluentes da cidade, como o igarapé da Avenida Brasil, do Franco, e 40.

Ao todo, 3.986 mil toneladas de lixo já foram retiradas de igarapés da cidade neste ano. Os números, segundo José Rebouças, são alarmantes. "A população tem tido mais consciência sim. A quantidade de lixo retirada diminui um pouco, mas ainda é muito grande. É preciso que todos tenham mais consciência", concluiu.
Redes de contenção foram instaladas para facilitar retirada de dejetos (Foto: Jamile Alves/G1 AM)

Cheia dos rios no Amazonas
O último balanço da Defesa Civil aponta que 39 municípios foram atingidos pela cheia dos rios em todo o estado. Segundo o órgão, atualmente 37 municípios estão em situação de emergência e dois em estado de calamidade, com mais de 317 mil pessoas afetadas. Neste ano, as cidades começaram a enfrentar o problema em abril.

Em maio, o Rio Negro ultrapassou a marca de 28,94 metros em Manaus, considerada de emergência, e alcançou a faixa de alerta. Esta cheia foi considerada a quinta maior cheia da história da capital. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é que o nível rio saia da faixa de alerta em agosto...

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