sábado, 20 de setembro de 2014

Ironia, racismo velado e mágoa marcam reencontro com Aranha

Daniel Favero
Direto de Porto Alegre

A volta de Aranha à Arena na noite de quinta-feira, 21 dias após o episódio de injúria racial, foi marcada por um embate de opiniões dentro e fora dos campos no empate sem gols entre Grêmio e Santos. A torcida tricolor ainda se mostrava magoada com a punição que excluiu o time da Copa do Brasil, enquanto o goleiro deixou o gramado reclamando das vaias que recebeu por julgar que eram um sinal de que o público concordava com as ofensas dirigidas a ele naquela noite de 28 de agosto. Mas era possível sentir a ironia e o racismo velado nas falas de algumas das pessoas que opinaram sobre o assunto.
 
Torcida do Grêmio vaia Aranha em retorno à Arena

Em um bar localizado em frente ao estádio, um senhor pediu para falar sobre o reencontro com Aranha, e disse que ele seria chamado pela torcida de “branquinho do Santos” ou “orelha de elefante”. “Até o Pelé falou que ele se precipitou”, justificava Luiz Fernando Souza, dizendo ainda que, agora, “macacos” eram apenas rivais colorados. “Eles têm um macaco na Camisa 12”, afirmava, referindo-se a uma torcida organizada daquela equipe, e sem considerar suas declarações racistas.

Um documento elaborado pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas (ONU) mostrou os problemas do “racismo institucional” no País, porque, apesar dos avanços, a população negra ainda está muito exposta ainda a desigualdades em diferentes aspectos. 
Gremistas pegaram no pé de Aranha Foto: Vinicius Costa / Futura Press

Ao todo, Aranha ouviu 29 vaias, quase uma a cada três minutos. Cada vez que ele encostava na bola, até mesmo fora de jogo, o coro era grande. Mas ele parecia não se afetar. Na saída se dirigiu aos microfones para reclamar da postura da torcida. Foi também xingado em ao menos seis ocasiões. Na sua opinião, aquilo demonstrava que os tricolores apoiavam o que tinha acontecido.

"Fiquei triste porque deu para ver qual é o pensamento do torcedor gremista. Não foi só a garota. Ela é quem está pagando, principalmente porque apareceu, mas tinha muita gente se manifestando hoje contra a minha atitude, sendo que a única coisa que fiz foi relatar ao árbitro. É a justiça, é a lei, a punição tem que servir para ensinar", disse o goleiro.

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