quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

MAIS UM NEGRO MORTO POR POLICAIL BRANCO GERA REVOLTA NOS ESTADOS UNIDOS

Nota de Cícero Lajes - Não é minha intenção atentar para uma luta de cores, mas ao ler que o policial teria sido absolvido, me pergunto: o policial seria absolvido se ele fosse negro e matasse um playboy branco vendendo ecstasy ou cocaína? Nos estados Unidos eu não sei, mas por aqui matar até mesmo o ato de enquadrar a playboyzada pode gerar punição ao oficial, enquanto matar negros da periferia rende honras.
 
Eric Garner foi morto em julho pelo policial Daniel Pantaleo; a polícia acreditava que o homem vendia cigarros ilegalmente

Manifestantes tomaram as ruas de Nova York irritados após um grande júri decidir não indiciar policial acusado pela morte de Eric Garner em julho deste ano. As informações são da CNN.
Grupo tomou as ruas na noite de quarta-feira (3) ao mesmo tempo em que o Procurador Geral dos EUA, Eric Holder, anunciou que as autoridades federais avançariam em uma investigação sobre direitos civis.

Garner, um homem negro desarmado, morreu em julho depois de o policial branco Daniel Pantaleo estrangulá-lo na calçada de uma avenida. A morte de Garner foi posteriormente vista como um homicídio.

Caso: Morte de negro nos EUA reacende discussão sobre quando polícia pode matar

“Essa luta não acabou. Está apenas começando. Estou determinada a fazer justiça pelo meu marido porque ele não deveria ter sido morto daquela maneira. Ele não deveria ter sido morte de maneira alguma", disse a viúva Esaw Garner.

"Ele deveria estar aqui, celebrando o Natal e o Dia de Ação de Graças e tudo o mais, com seus filhos e netos. E ele não pode. Por que? Porque um policial errou. Alguém que é pago para fazer o certo cometeu um erro e não será responsabilizado por isso. Mas a morte de meu marido não vai ser em vão. Enquanto eu respirar, vou lutar até o fim", argumentou.

Os manifestantes se reuniram em vários pontos de Manhattan, incluindo a Times Square e Union Square, marchando pacificamente próximo do Rockefeller Center, onde a iluminação da árvore de Natal era inaugurada. Houve manifestações em outras cidades também, incluindo Washington D.C., Filadélfia, Oakland e Califórnia.

"Não para a polícia racista", gritavam os manifestantes em Nova York.

A mãe de Garner, que falou aos jornalistas ao lado de sua viúva, disse que estava desapontada com a decisão do grande júri, mas pediu calma.

"Queremos fazer um comício de paz. Demonstrem sua indignação, mas o façam de forma pacífica", exortou Gwen Carr.
 'Não consigo respirar', gritou Eric Garner no chão após ser imobilizado por policial em julho. Ele foi declarado morto horas depois

Na West Side Highway, em Nova York, um grupo de manifestantes ficou cara a cara com fileiras de policiais enquanto gritavam: "Eu não posso respirar, não consigo respirar."

Os manifestantes sentaram-se ao longo da rua gritando: "O que nós queremos? Justiça. Quando queremos? Agora!"

"Ferguson está em toda parte", disse um dos ativistas referindo-se a Michael Brown, morto por policiais em Ferguson, Missouri.

'Eu não consigo respirar'

Durante o encontro fatal de 17 de julho, em Staten Island, Garner levantou as duas mãos para o ar e disse aos policiais para não tocá-lo. Segundos depois, vídeo mostra policial agarrando Garner e o estrangulando enquanto o puxava para a calçada.

"Eu não posso respirar! Eu não consigo respirar!", gritou Garner várias vezes.

O homem, de 43 anos, foi declarado morto naquele mesmo dia. A polícia suspeitava que Garner estava vendendo cigarros ilegalmente.

O júri foi composto por 14 brancos e nove membros não-brancos, de acordo com fontes policiais. Um total de 12 jurados que ouviram todas as provas consideraram não haver "motivos razoáveis" para indiciar o oficial da polícia.

O caso tornou-se emblemático diante das tensões de longa data entre a polícia e as comunidades minoritárias, especialmente negros e hispânicos. A morte Garner levou a manifestações em torno da cidade e aconteceu semanas antes do tiro mortal da polícia contra Brown, que estava desarmado em uma rua de Ferguson.

*Com CNN

Nenhum comentário:

Postar um comentário