sábado, 28 de março de 2015

Em dia de ‘bicicletaço’, Justiça derruba liminar contra ciclovias

Nota de Cícero Lajes - Numa cidade em que dependendo dos dias, das avenidas e do clima, os engarrafamentos alcançam rapidamente proporções quilométricas, a decisão de barrar a construção de ciclovias não me parece nada sensato. Aliás, os ciclistas de toda cidade brasileira só é notado quando é esmagado por um ônibus, ou tem seu braço jogado num córrego após um acidente.
 
 Não há razão suficiente, até agora, para barrar a construção de ciclovias em São Paulo. Esse foi o argumento principal do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, para derrubar nesta sexta-feira a liminar que proibiu a continuidade da implantação de novas rotas para bicicletas na cidade. 

Para Nalini, antes de conceder a decisão restritiva é preciso esperar ao menos a resposta da Prefeitura de São Paulo, responsável para criação de ao menos 200 km de ciclovias desde 2013, a respeito. "O fundamento da decisão – falta de prévio estudo de impacto viário– não é o bastante, pelo menos, sem prévia oitiva do município, para se determinar a suspensão das obras”, escreveu ele na decisão.

A decisão judicial coincidiu com um bicicletaço organizado por ativistas na av. Paulista, na região central de São Paulo, para protestar contra a suspensão. A liminar foi concedida em primeira instância na semana passada após solicitação da promotora Camila Mansour Magalhães de Silveira. "Ei, promotora, vem pedalar! Pega uma bike e esquece a liminar!" foi um dos cantos dos ciclistas na manifestação.

"Nunca vi tanto ciclista junto. Isso é para calar a boca de muita gente que acha que não tem demanda para as ciclovias em São Paulo", disse a médica Maria Aparecida, 48, no ato. Segundo uma das organizações ativistas, entre 3.500 e 4.500 ciclistas pedalaram nos dois sentidos da av. Paulista, onde a Prefeitura está construindo uma ciclovia. A obra da avenida era a única que não havia sido paralisada em resposta à demanda de Silveira. A médica Aparecida promete deixar o carro em casa e usar a bicicleta para chegar ao trabalho quando a obra for concluída. "Meu consultório é na região."

Também no bicicletaço, o cientista social Evandro Saboia, de 31 anos, disse que "a decisão da promotora vai na contramão da política mundial de mobilidade". Renata Falzoni, jornalista e cicloativista desde 1976, celebrou a manifestação: "Nós ciclistas somos uma massa de invisíveis, por isso acham que não estamos usando as ciclofaixas porque não causamos nem confusão nem trânsito."

Texto original: Brasil Elpaís 

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