segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

DESIGUALDADE ECONÔMICA: 3 CIDADES CONCENTRAM 58,04% DO PIB POTIGUAR

O Produto Interno Bruto dos Municípios (PIB) do Rio Grande do Norte teve crescimento médio real de 4% em 2013, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida, pela instalação de parques eólicos, pelos novos arranjos do setor têxtil e pela agropecuária, que se recuperou um pouco após a seca do século em 2012. E assim como no resto do Brasil, no RN também há forte concentração da riqueza. Os três municípios mais populosos - Natal, Mossoró e Parnamirim - concentram 58% PIB. Segundo a publicação “PIB dos Municípios 2013”, divulgada ontem pelo IBGE, 73,4% do valor adicionado vieram do setor de serviços, 23,4% da indústria e 3,2% da agropecuária.

O estudo sobre o Produto Interno Bruto foi realizado pelos técnicos do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema) seguindo a metodologia do IBGE

No geral, a economia cresceu nominalmente (se a atualização monetária) em 146 municípios e encolheu em outros 21, entre eles Serra Negra do Norte (-28,3%), Arês (-21,1%), Baía Formosa (-15,5%). Na outra ponta, houve crescimento acima da curva em Lagoa Nova (179,7%), Bodó (142,8%) e Jardim de Piranhas (121,7%) e João Câmara (54,6%). Com exceção de Jardim de Piranha, os outros quarto no topo do ranking de crescimento entraram no radar dos investimentos em fontes alternativas de energia limpa.

Beneficiada pela construção do Arena das Dunas e das obras de mobilidade que atingiram o auge naquele ano, Natal cresceu 13,17%. Em função disso, a participação da capital no PIB estadual subiu de 38,09% em 2012 para 38,86% no ano seguinte. Em Mossoró, o crescimento de 7,85% foi empurrado pela segmento transporte vinculado à indústria petrolífera. A indústria de transformação, o Minha Casa e o setor de serviços são responsáveis pelo crescimento de 12,92% de Parnamirim.

No estudo, três situações merecem explicações à parte. O primeiro é relacionado a Guamaré, município que até bem pouco tempo estava entre os 30 com maior PIB per capita do Brasil e liderava com folga o ranking estadual. Em 2013, caiu para o último lugar no Rio Grande do Norte, com apenas R$ 3.794,42. A explicação está no mercado do petróleo e numa equação que envolve o custo do refino e a comercialização dos derivados (veja nota técnica do IBGE). Naquele ano, ao contrário do que se verifica hoje, o barril estava acima dos 120 dólares no mercado externo e os derivados com uma defasagem de preço na faixa de 30%.

Outra situação é a de Parazinho. Na série histórica revisada, o PIB passou de 21,2 milhões em 2010 para 181,1 milhões em 2013, aumento de 754% no período. No entanto, no comparativo de 2013 com 2012, houve queda de 43,8%. Isso se deu em função da desaceleração no mercado de energia eólica em função da conclusão da montagem dos parques eólicos no município. Jardim de Piranhas é “um intruso no ranking do crescimento do PIB, dominado pelos municípios eólicos. De acordo com informações do IBGE/Idema, em função das atividades do comércio da cidade.

O ranking do PIB per capita tem como líder agora Porto do Mangue (R$ 41.582,94), seguido por Parazinho (R$ 35.242,94 e Alto do Rodrigues (R$ 33.809,49). Em 2013, o per capita do Rio Grande do Norte era de R$ 15.247,87, o terceiro maior do Nordeste.

No plano nacional, o estudo mostra que a participação das capitais brasileiras na formação do POIB caiu 1,5 ponto percentual em três anos. A participação das 27 capitais passou de 34,3% em 2010, para 32,8% no ano do levantamento. Os resultados confirmam o Brasil como um país profundamente desigual e com a economia centralizada em poucos estados.


NOTA TÉCNICA
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem uma nota técnica explicando os motivos da queda do Produto Interno Bruto dos municípios onde há refinaria de petróleo, como é o caso de Guamaré, no Rio Grande do Norte; São Francisco do Conde, na Bahia e Araucária, no Paraná, entre outros.

A nota é a seguinte:

“A partir de 2011, com aumento no preço do petróleo (principal insumo da indústria do refino) houve elevação substancial no consumo intermediário da indústria do refino. Além disso, os preços dos derivados do petróleo permaneceram estáveis, fazendo com que a receita obtida com esses produtos ficasse praticamente inalterada, implicando, por consequência, na estabilidade do valor bruto da produção.”

“Sendo assim, de um lado crescimento no consumo intermediário e do outro a estabilidade no valor bruto da produção tem como consequência a queda significativa no valor adicionado bruto da indústria do refino.”

“A indústria do refino de petróleo é uma atividade concentrada em poucos municípios e, desse modo, alguns municípios foram significativamente afetados e ficaram com valor bruto da produção industrial negativo. É o caso dos municípios de Guamaré (Rio Grande do Norte), São Francisco do Conde (BA) e Araucária (PR) para os anos de 2011 a 2013 e do município de Paulínia (SP) no biênio 2012 e 2013.”

Texto retirado da Tribuna do Norte, com exceção do título

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