domingo, 13 de dezembro de 2015

FAZENDA TAMANDUÁ AJUDA MELHORAR O IDH DE SANTA TERESINHA PB - PRODUÇÃO CONVIVÊNCIA E PRESERVAÇÃO

Pierre Landolt - Fazenda Tamanduá
Figura 2. Pierre Landolt mostrando a produção de manga na Fazenda Tamanduá, em Santa Terezinha, PB. Foto de Mariana Andrade para o Projeto Brasil27.

Nota de Cícero Lajes - Fuçando no Youtube coisas da caatinga, encontrei alguns vídeos desse suíço apaixonado pela caatinga que comprou uma fazenda na Paraíba e se tornou referência de convivência com a seca, de produção de vários produtos e o respeito à natureza. De certo Pierre deve ter investido um bom capital na fazenda, realidade distinta da quase totalidade dos pequenos produtores rurais, mas algumas dicas podem ser reproduzidas quando possível com assessoria técnica e financiamento público ou privado. Vejam o vídeo de  2011 e a matéria de 2013 abaixo!
* Fazenda Tamanduá - Alternativa de convivência com seca
* Fazenda Tamanduá Projeto Brasil 27
* Fan page da Fazenda Tamanduá

Pierre Landolt, 65, que chegou ao Brasil em 1974 para trabalhar em uma empresa multinacional atuante nos setores farmacêutico, químico e agrícola.
Eu viajava muito pelo Brasil. Aqui no Semiárido da Paraíba, conheci uma realidade bastante sofrida. Mas também vi o cultivo do algodão mocó, que se dava em conjunto com a cultura de gado. Interessei-me pelo sistema e finalmente resolvi vir pra cá em 1977 e fazer algo para tentar mudar essa realidade.
A produção do binômio algodão-gado no sistema tradicional declinou com um período de seca entre 1979 e 1984 e com a simultânea chegada da praga conhecida como bicudo. A partir daí, Landolt buscou outras opções para continuar produzindo no semiárido. Foi nessa busca que, em 1998, ele decidiu adotar a agricultura orgânica e biodinâmica, a qual entende uma propriedade rural como um organismo vivo no qual diferentes culturas fornecem insumos umas às outras.
Hoje, a Fazenda Tamanduá (nosso oitavo caso de negócios sociais), localizada no município de Santa Terezinha, é a maior fazenda biodinâmica do Brasil, com área superior a 3000 hectares, destinados à preservação da vegetação natural do Semiárido (caatinga), à pecuária de bovinos e caprinos (que se alimentam da vegetação natural) e à produção diversificada de mel, manga, melão, e alga spirulina – rica em proteína e utilizada como suplemento alimentar.
Sustentar uma produção diversificada e orgânica, no semiárido nordestino, tem seus desafios. Lidar com a erosão e o empobrecimento do solo – causados pelo calor constante, os altos níveis de insolação e o vento forte – é um deles. Para contornar a situação, A Fazenda Tamanduá produz seu próprio adubo a partir da compostagem do esterco de gado e da poda das mangueiras.
Um segundo desafio é a necessidade de constante capacitação dos colaboradores da fazenda. Na Fazenda Tamanduá, a grande maioria dos 70 colaboradores são treinados para serem polivalentes, o que resulta numa baixa rotatividade – um cenário não mais comum no ambiente agrícola brasileiro.
Landolt também trabalha na replicação do conhecimento desenvolvido na Tamanduá. Através de parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa), ele e sua equipe apoiam pequenos agricultores da região no desenvolvimento de culturas orgânicas e, mais importante que isso, na comercialização dessa produção.
O maior desafio do pequeno produtor, mesmo aqui no sertão, não é a produção, mas sim o acesso ao mercado. Trabalhando em conjunto com eles, podemos garantir um volume de produção que nos dá acesso a clientes que, sozinhos, eles não poderiam atender.
Dessa forma, Landolt montou uma cadeia produtiva que vai dos pequenos produtores às grandes redes de varejo. “O mercado brasileiro de produtos orgânicos está crescendo e amadurecendo. Posso dizer que, hoje, não falta mercado, falta escala de produção.
Quais as principais lições aprendidas por esse suíço que se radicou no sertão da Paraíba há mais de 35 anos? Landolt resume muito de seu aprendizado à palavra cultura, que para ele é o quarto pilar da sustentabilidade. “É fundamental entender e respeitar a cultura local se você quer fazer algo realmente sustentável.” Ele também ressalta a necessidade de ser paciente. “Não se muda uma realidade social em pouco tempo. Para chegar aonde a Tamanduá chegou, levamos mais de 30 anos”.
Landolt hoje fala com orgulho dos resultados apresentados pelo último Censo do IBGE.  “O resultado do Censo mostrou que a renda per capita de Santa Terezinha aumentou 503% em 10 anos. Achei o resultado estranho. Liguei no IBGE e eles confirmaram o resultado e citaram espontaneamente que a Fazenda Tamanduá contribuiu para esse resultado.

Pedro Henrique G. Vitoriano


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