quarta-feira, 6 de julho de 2016

Análise de Tárcio Araujo Sobre o Ato da Repórter Carregada nos Braços Para não Pisar na Água

Texto de Tárcio Araujo

Esse fato merece um estudo de caso certamente. A foto, em princípio postada despretensiosamente pelo colega da jornalista em questão, em tom de brincadeira, revela um comportamento comum para muitos repórteres de TV, principalmente ! O exercício do telejornalismo cria uma falsa ideia de que este profissional é alguém diferenciado, (quase um ser iluminado), e esse vírus da auto-exposição têm infectado mentes e corações de muitos jornalistas, repórteres, etc.. 

O Narcisismo da TV cega o profissional e tira dele a sua razão mais simples; a de que ele é um trabalhador, vive por um salário que defende e luta pra receber, quando recebe... Nada mais do que isso! sem se dar conta e movida pelos impulsos enganosos do ego, a maioria dos profissionais de TV caminha narcotizada com sua auto imagem e a falsa glória de ser "reconhecido" por ai. Esquece que é só um operário da comunicação, um trabalhador que não pertence a nenhum segmento especial. 

Diferentemente dos demais trabalhadores que estão abaixo do topo da pirâmide social, o jornalista de TV têm pra si a questão da exposição diária,mas isso pode lhe ser desfavorável também. É tudo muito relativo nessa vida, depende do ponto de vista como olhamos para as coisas. Se ele tiver em mente que após três meses "fora do ar" seu nome estará esquecido e seu rosto será apenas um borrão entre tantos outros para a multidão, tudo será mais fácil para o profissional que atua em frente às câmeras. É sabido que o jornalista integra parte da elite intelectual, dado o seu processo de formação. 

Ele convive e interage com outros indivíduos de camadas sociais mais elevadas e que integram as chamadas elites políticas e econômicas. Fora disso, o profissional da comunicação também convive com as camadas mais subalternas, àquelas a margem da sociedade. E na maior parte do tempo, é lá que o jornalista deve estar. É no gueto onde a vida real acontece de fato. De lá se tem as melhores histórias, sejam de dramas ou de superação. Portanto, o jornalista pode até se fascinar com o meio, mas não deve jamais perder a razão de reconhecer o seu verdadeiro lugar e missão na sociedade.

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