terça-feira, 21 de agosto de 2012

CRÔNICA - UMA LUA DE DOMINGO - JOHN ALEX XAVIER DE SOUSA.

JOHN ALEX XAVIER DE SOUSA.

            Quem conhece o Campus III, da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, não terá dificuldade alguma de se colocar nos passos de um transeunte, como aconteceu comigo. Pois, na minha caminhada diária que, na maioria das vezes se restringe a uma volta, entrando pela parte posterior do Campus e saindo pela entrada principal, passando pelo centro da cidade de Bananeiras e subindo a ladeira, como quem vai para Solânea, mas ao invés de seguir esse trajeto, direto ao centro da outra cidade vizinha, entro à esquerda, na Rua Santo Antônio, vi surgir uma lua enorme como as de filme, de novela, envolta de uma beleza que deixava a cidade ainda mais bucólica, depositando-lhe mais um véu de majestade.

            A entrada do Campus, ainda para quem não conhece, é uma trilha de palmeiras e, quando fazia o caminho de saída, eis que desponta no horizonte uma lua de domingo, tão cheia, que se não fosse lua cheia, poderia ser confundida como tal. Quando caminho, costumo fazer minhas orações, meditações envoltas da fé cristã na qual fui educado. A lua não poderia ser um motivo de distração para minha conversa com o meu Senhor. Muito pelo contrário, ao invés de pedir, passei a agradecer as maravilhas que é ter saúde, pernas para caminhar, olhos para ver das palmeiras ao firmamento, mãos tão grandes para tocar a lua que quase já começava a boiar no Céu. Agradecia o presente de no Momento da Criação, Deus ter lembrado de colocar um astro para presidir nas noites, mesmo nas de desalento.

            Quando a gente sai do Campus dá de frente para um canal, que numa cidade tão pequena, poderia ser mais bem preservado, diferenciando-se sobremaneira dos esgotos das metrópoles. A lua permanecia subindo e não sabia mais se ela me olhava ou eu que a seguia com meus olhos atônitos por tanta maravilha em tão pouco tempo, na hora fugidia entre o fim do dia e início da noite. Essa hora que a gente mesmo confunde se dá boa noite ou se ainda boa tarde.

Percebi naquele instante que não é difícil compreender porque, no passado, os homens acreditavam nos astros, nos fenômenos da Natureza, como se fossem divindades. Afinal as diversas fases da lua dão dimensões diversas às frágeis marés. Há ainda quem diga que ela interfere na cabeça dos homens e, ainda mais, nas dos loucos. Dizem ainda que se agente olhar direitinho, seremos capazes de ver São Jorge e seu dragão. Confesso que mesmo quando era uma criança, nunca me deixei iludir por tal imagem, pois mesmo que os adultos quisessem dizer cada forma, sentia-me um completo ser incapaz de ver tal imagem. Ainda bem que não preciso do perdão de São Jorge por não conseguir vê-lo, em seu cavalo, estampado na lua. No entanto, confesso que gostaria de, pelo menos uma vez, uma única vez na vida, ter visto a imagem do homem santo lá no alto, porém minha imaginação sempre apenas me permitiu ser assediado pela lua, assaltado por suas fases e inconstante como elas.

Dados do Autor: Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN (1993), Especialização em História da Cultura pela UFRN (1996) e Mestrado em Ciências Sociais pela UFRN (1999). Foi professor substituto na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Lecionou no Curso de História, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). Atualmente é professor do Departamento de Educação, da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, Campus III, Bananeiras. Tem experiência nas áreas de História, Sociologia, Antropologia e Educação.


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