segunda-feira, 7 de outubro de 2013

TRILHEIROS DA CAATINGA NO TÚNEL DA "FERROVIA ABANDONADA" - LAJES/CAICÓ

Os Trilheiros da caatinga estiveram no túnel da Fazenda Arara distante há mais ou menos 12 KM da Zona Urbana de Lajes no sentido Lajes/Cerro Corá. Essa expedição não teve apenas o intuito de aventura, bem como uma aproximação com a história da estrada que ligaria Lajes à Caicó mas que nunca foi concluída, deixando cravados no tempo que separa passado e presente: sonhos, relações sociais, na linha de trabalho, possíveis acidentes, estruturas para receber as pontes e pontilhões que nunca chegaram... Segundo meu amigo Cícero Lisboa: "os trilhos foram até a Comunidade Barreiras, próxima ao açude Caraúbas, mas andou trem neles, mas apenas uma pequena máquina que levava material e trabalhadores para a frente de trabalho."

Indo de Lajes para Cerro Corá pela BR (estrada de barro) 104, observamos em boa parte do percurso estruturas dessa linha férrea, inclusive em Recanto, o prédio que hoje é a Capela, segundo seu Cícero Lisboa: "seria uma estação da ferrovia. - Perto de Recanto tem uma estrutura de pontilhão que se você olhar de baixo para cima é arriscado cair."
Chegando ao túnel que tem aproximadamente 100 metros de extensão, logo somos tomados por sentimentos de alegria, frustração pelo abandono da ferrovia, admiração pela obra em uma época com poucos recursos tecnológicos, beleza geológica e acima de tudo satisfação.
Veja o relato do jornalista Tárcio Araújo que já esteve no local antes de nós: 
Tárcio Araujo bondade sua nobre Cícero ! na verdade esse roteiro já constava na agenda de vocês trilheiros há tempos. Teria ido com vocês caso estivesse em Lajes. Acho esse local enigmático. Quando atravessei ele tive uma sensação estranha, era como se ouvisse todo o burburinho, barulho e vozes daqueles que trabalharam nessa obra monumental e complexa para a época. Valeu a lembrança, um forte abraço!



Tárcio Araujo Ainda sobre esse túnel, quando citei a sensação de estranheza ao atravessá-lo, lembro do me dizia o saudoso Ozildo Pereira... Segundo ele, os caçadores ouviam vozes à noite que vinham de dentro do túnel, ouvia batida de martelos e picaretas. O velho Ozildo também dizia que ao chegar ao centro do túnel e fechar os olhos por alguns segundo, consegui-se ter a mesma sensação de voltar no tempo e estar entre os trabalhadores da obra. Seria como uma transmutação de espirito. Vai ver, foi por isso que fiquei tão impressionado ! Não sei se era verdade o que o saudoso e folclórico Ozildo afirmava, pelo menos era o que me disse quando visitei o túnel.

"O traçado estabelecido pelos estudos da “Comissão de Obras Contra as Secas” tinha o objetivo de interligar diversas regiões produtivas do estado à cidade do Natal, que funcionaria como porto de escoamento dessa produção. A ocorrência de mais uma seca é responsável por mais uma interrupção nas obras da Central, devido à falta de mão-de-obra ocasionada pelo êxodo para o Amazonas. Apesar disso, os estudos de planejamento do traçado Lajes-Caicó, do ramal Lajes-Macau e do prolongamento Caicó-Milagres são continuados." (trecho retirado da Revista Fazendo História, autor: Adriano Wagner da Silva
No ano de 1925, apesar dos resultados financeiros dos anos que o precederam, os investimentos na linha se tornam consideravelmente difíceis Além disso, a construção de estradas de rodagem é intensificada no Rio Grande do Norte, tais como Natal-Currais Novos, Lajes-Currais Novos, Caicó-Jardim, Currais Novos-Acari e Jardins-Parelhas (VIAÇÃO E OBRAS..., 1925/ Revista Fazendo História)
O reportes Augusto Maranhão disse em uma expedição nesse túnel, que tem uma ordem de serviço de Tavares de Lira para construção do túnel.
Estrutura para pontilhão. Segundo Gilmar, da Rapaziada Potiguar: "De Lajes até Recanto (indo pelo trajeto da linha férrea), são 30 construções dessas.
O início dessa ferrovia se deu por trás do local onde funciona hoje a Churrascaria Guaíba. A empresa construtora era a empresa inglesa Great Western, mas problemas econômicos fez com que o Governo Federal rescindisse o contrato em 1920, passando a assumir as obras que não foi adiante por muito tempo.
Estavam na expedição. os Trilheiros: Eudes, Leandro e Cícero, acompanhados de Jorge e Josenilson.

Este é o leito do Açude do Apertado na Fazenda Arara, nesse momento totalmente seco. Aguarde mais levantamentos sobre a ferrovia Lajes/Cerro Corá/Caicó, que nunca funcionou.

Um comentário:

  1. Os Trilheiros da Caatinga sempre mostrando a história do RN. Parabéns!

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